IMBISA celebra Dia Mundial do Migrante e do Refugiado junto das populações afectadas em Pemba
A Mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2026, é vivida pela IMBISA em Pemba, Cabo Delgado.
“Mesmo uma só destas crianças” é o tema da Mensagem do Papa Leão XIV para o 112º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2026 (DMMR), que é celebrado no dia 27 de Setembro, último Domingo do mês de Setembro.
A IMBISA, respondendo a este convite do Santo Padre, marca o seu encontro ordinário do Conselho Permanente em Pemba, Província de Cabo Delgado, de 28 de Setembro a 02 de Outubro, para celebrar o dia mundial do Migrante e do Refugiado, com os afectados pelos conflitos na região e inteirar-se da real situação em que os povos se encontram e, assim, mostrar a sua solidariedade àquele sofrido povo e ao seu martirizado irmão, Bispo de Pemba, D. António Juliasse Ferreira Sandramo. No seu programa de actividades, prevêem visitar o campo de refugiados de Naminaue, no dia 1 de Setembro de 2026.
Vale ressaltar que, em sua mensagem, o Santo Padre chama a atenção para a realidade de muitos menores forçados a abandonar sua própria terra por causa de guerras, pobreza, violências, desastres ambientais e outras tragédias; um número que continua a aumentar dramaticamente. No contexto dos fluxos migratórios, os mais vulneráveis são justamente crianças e adolescentes. Além de serem forçados a se deslocar e deixar sua própria casa, vivenciam sofrimentos como a perda de pais e entes queridos, violências, a angústia da distância e a separação por causa das repatriações. Também os jovens que enfrentam a jornada com os próprios pais ficam, ainda assim, expostos a condições extremas e traumáticas. O Santo Padre lembra que são muitos os menores que perdem a vida ao longo das rotas migratórias ou que se tornam vítimas de tráfico de seres humanos, exploração, violência sexual e outras atrocidades.
A delegação é composta por oitos Bispos, representando as 6 Conferências Episcopais da IMBISA. D. Liborius Nashenda, Arcebispo de Windhoek e Presidente da IMBISA, D. José Manuel Imbamba, Arcebispo de Saurimo e Presidente da CEAST, D. Rudolf Nyandoro, Bispo de Gweru, Zimbabwe e Secretário Geral da IMBISA, D. Antonio Constantino Bogaio, Bispo de Caia, Moçambique e responsável pelas Comunicações na IMBISA, D. Dionisio Hisiilenapo, Bispo do Namibe, Angola e representante da CEAST, D. Willem Christian, Bispo de Keetmasoop, Namíbia e representante da NCBC, D. Siphiwo Vanqa, Bispo de East London, África do Sul e representante da SACBC, D. Tonito Muananoua, Bispo Auxiliar de Maputo, Moçambique e representante da CEM.
O encontro começou com a apresentação de algumas palavras de Boas-vindas feitas por D. Inácio Saure, Arcebispo de Nampula e da província eclesiástica, e D. Antonio Juliasse Sandramo, Bispo de Pemba. Na sua alocução, D. Juliasse fez uma apresentação da situação do conflito em Cabo Delgado e a resposta pastoral da Igreja. Deu um ponto de situação geral sobre os antecedentes e a génesis da radicalização terrorista, cronologia e evolução territorial da guerra, uma incursão pela leitura do presente e sinais de alerta de insegurança generalizada em Cabo Delgado, o impacto humanitário e ecclesial no contexto de conflitos, os sinais de solidariedade demonstrados por comunidades intra-eclesial e pela comunhão universal, desde a Santa Sé a outras conferências regionais e terminou a sua intervenção falando da geopolítica dos recursos e o contraste de uma província rica e o paradoxo da pobreza. Ressaltou que as dinâmicas da radicalização ideológica oculta começaram a dar sinais em Outubro de 2017, nos distritos de Mocímboa da Praia, Palma e Nangade, promovidas por supostos “missionaries” fundamentalistas externos do grupo islâmico. Algum tempo depois espalharam-se por todo o território do Norte de Moçambique e os ataques agudizaram.
Em resultado destes ataques e saques em muitos pontos, criou uma onda de êxodo dos povos de suas aldeias para os centros mais seguros à procura de protecção. Dado que a situação de ataques continuava, mesmo estando em centros de reassentamentos, muitos entenderam voltar para as suas aldeias, convictos de que mesmo estando fora das aldeias a realidade de insegurança era a mesma. Portanto, adianta morrer em sua terra, suportando os ataques, a estar fora dela.
Segundo Dom Juliasse a pacificação de cabo Delgado exige a estruturação imediata de investimentos económicos focados em dar perspectivas de futuro e empregabilidade à juventude, cortando a raiz do recrutamento insurgente alimentado pela exclusão.
Pe. Pelágio Cachingona

