Em nota pastoral, Bispos Católicos de Moçambique condenam assassinato de Dom Osório e exigem esclarecimento urgente do crime
A Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) manifestou profunda consternação e indignação pelo assassinato de Dom Osório Citora Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane, Secretário-Geral da CEM e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, ocorrido na manhã de 6 de junho, na residência episcopal de Quelimane.
Em nota pastoral divulgada pelos bispos católicos do país, a Igreja classificou o crime como “vil e cobarde”, sublinhando que a morte de Dom Osório representa não apenas uma agressão contra uma pessoa, mas também uma ferida profunda infligida à Igreja Católica e à sociedade moçambicana.
Os bispos recordam Dom Osório como um pastor dedicado, que se entregou integralmente ao serviço da Igreja e da promoção da dignidade humana. Apesar da dor provocada pela sua morte, a CEM destaca a esperança cristã na ressurreição, afirmando que a sua partida constitui uma “Páscoa de sangue”, mas também uma passagem para a glória de Deus.
Na mensagem, a Igreja denuncia o crescente clima de violência no país e alerta para os seus impactos sobre a segurança e a convivência social. Segundo a nota, o assassinato de um líder religioso com forte compromisso social constitui um golpe contra a dignidade humana e contra a confiança dos cidadãos nas instituições responsáveis pela protecção da vida.
A Conferência Episcopal apelou às autoridades competentes para que investiguem o caso com rigor, rapidez e transparência, identificando e responsabilizando tanto os autores materiais como os mandantes do crime. Os bispos consideram que qualquer demora ou omissão na investigação representaria um atentado adicional contra a consciência moral da nação.
A nota reafirma ainda que é dever do Estado garantir a segurança dos cidadãos e defende uma resposta firme e eficaz que permita restaurar a confiança pública nas instituições.
Por fim, a CEM expressa solidariedade à família de Dom Osório, ao Instituto Missionário da Consolata, à Diocese de Quelimane e à Arquidiocese da Beira, agradecendo a Deus pela vida e missão do prelado e exortando todos os moçambicanos a rejeitarem a violência e a promoverem uma cultura de paz, respeito pela vida e reconciliação.
A Igreja Católica conclui o documento renovando o compromisso de continuar a trabalhar pela construção de uma sociedade mais justa, fraterna e segura para todos.

