“Cada gesto conta”: Arcebispo de Maputo apela à solidariedade nacional face às cheias
Perante o agravamento da situação provocada pelas cheias que assolam várias regiões do país, com particular incidência na região Sul, o Arcebispo da Arquidiocese de Maputo, Dom João Carlos Hatoa Nunes, dirigiu uma mensagem de proximidade, fé e esperança aos fiéis cristãos e a todo o povo moçambicano, apelando à solidariedade concreta para com as famílias afectadas.
Na sua mensagem pastoral, o Prelado reconhece o momento particularmente doloroso que o país atravessa, marcado por fortes chuvas, cheias, destruição de habitações, perda de bens, de sustento e, em alguns casos, de vidas humanas. Diante desta realidade, Dom João Carlos Nunes afirma sentir-se chamado, como Pastor da Igreja, a dirigir uma palavra de consolação, proximidade e encorajamento, sublinhando que “a dor do nosso povo é real, concreta e clama por compaixão”.
Invocando a protecção de Deus e a intercessão maternal de Nossa Senhora, Mãe de esperança e consolação, o Arcebispo exorta à união espiritual e humana, pedindo força para os que perderam tudo e coragem para quantos se dedicam ao socorro das vítimas. Inspirado pela Palavra de Deus, recorda que a fé cristã não se limita a gestos exteriores, mas exige escuta, discernimento e compromisso responsável com os mais vulneráveis e com o cuidado da casa comum.
Dom João Carlos Nunes alerta ainda para a necessidade de evitar discursos que dividem e acusações estéreis, apelando antes a um tempo de consciência, conversão e compromisso, no qual a fé se traduza em gestos concretos de amor e solidariedade. “Como Igreja, somos chamados a ser ‘odres novos’, com corações disponíveis e estruturas capazes de responder às urgências da vida do nosso povo”, sublinha.
É neste espírito que o Arcebispo dá a conhecer que a Cáritas Arquidiocesana de Maputo está a levar a cabo uma campanha de recolha de apoios, contando com a generosidade de cristãos e de todas as pessoas de boa vontade, com o objectivo de mitigar o sofrimento das famílias atingidas pelas cheias. Trata-se, segundo afirma, de um sinal concreto de uma fé que se faz próxima e solidária.
Num apelo directo às paróquias, comunidades, grupos e fiéis da Arquidiocese, Dom João Carlos Nunes encoraja a contínua mobilização em torno de gestos simples, mas eficazes, lembrando que “todos podem dar a sua contribuição, por menor que seja”, pois cada partilha representa um sinal de esperança para quem perdeu quase tudo.
O Arcebispo conclui a sua mensagem convidando a olhar para além da emergência imediata, desafiando a sociedade a reconstruir não apenas casas, mas também relações, atitudes e responsabilidades, para que Moçambique saia deste tempo de provação mais consciente, fraterno e solidário.

